quinta-feira, 2 de março de 2017

Resenha: O Circo Mecânico Tresaulti

Olá galerinha, como estão?

Espero que bem!

Bom, hoje é assim que começa a nossa aventura pelo incrível, pelo espetacular, com homens mecânicos além da imaginação, as maiores curiosidades humanas que o mundo já viu, homens fortes, dançarinas e máquinas vivas, garotas voadoras mais leves que o ar, música da orquestra humana, uffa!

Parece mesmo demais não é galera? Eu sempre procuro pesquisar sobre os autores e alguma ligação sobre suas vidas e obras escritas, mais a Genevieve Valentine, até o presente momento não prestou nenhuma entrevista contendo o que lhe causou inspiração para o Circo. Sendo assim, trago-lhes  o texto de abertura da autora no livro:






Um circo entre nós

Por Genevieve Valentine


Minha memória precisa ser particularmente adaptada a um livro como O Circo Mecânico Tresaulti. Recordo-me de algumas impressões e alguns momentos, mas não de todo o processo. Mas lembro-me bem da primeira vez que vi dois acrobatas ignorarem a multidão de pessoas e se olharem no exato momento que precede o salto, compartilhando algo que eu sabia ser vital - algo cuja verdadeira substância eu nunca consegui compreender, por não ser um dos acrobatas com as mãos vazias esperando o momento do salto.
O Circo Mecânico Tresaulti é um livro muito focado nesse sentimento, de fora para dentro. Dividir essa cumplicidade com alguém é algo intenso, e que cresce se houver confiança, calcifica com o tempo e fica dolorido com a idade, mas tornar-se mais forte por conta disso. Não ter esta conexão em particular significa que você é totalmente livre - e bastante sozinho. Este espaço entre as pessoas - onde vive a memória das coisas - é mais familiar, porém viver na esperança dessa conexão é algo poderoso. (Para a maioria de nós, talvez não poderoso o suficiente para conseguir parar o tempo, mais ainda continuamos tentando.)
A edição brasileira é uma alegria à parte, acompanhada das ilustrações impressionantes de Wesley Rodrigues. A atmosfera é fundamental em um livro como este, e seu traço proporciona um equilíbrio incrível entre detalhe e movimento, sem jamais perder a sensação de que você nunca consegue ver a coisa toda. (O retrato da trupe em particular carrega essa vitalidade, enquanto ainda assim, de alguma amaneira, se assemelha a um sonho.)Este é o primeiro trabalho artístico inspirado em algo que se escrevi; só posso afirmar que tive muita sorte.
Aos leitores brasileiros - bem, o que dizer? Ler um livro é uma experiencia tão pessoal que é impossível pensar o que alguém deveria tirar dela; cada leitor tem seu próprio coração. Para você que encontrou uma conexão verdadeira com  O Circo Mecânico Tresaulti, fico feliz; afinal. estamos todos procurando, juntos.
Muito obrigado. Vocês são parte do espetáculo!

                                                                                                                       Janeiro de 2016






Respeitável publico, convite feito! E ai, deu água na boca?
Apesar de se tratar de uma distopia apocalíptica , na qual todos os seus integrantes foram de alguma forma mutilados pela guerra e se refizeram, recriaram os seus próprios mundo no circo, apesar de ser uma clara critica a sociedade e ao governo da época, é sem dúvida um livro encantador, que merecia não talvez uma continuação, mais uma outra edição esclarecendo talvez de foma mais clara determinados fatos, ou será que a Genevieve é também uma fã de Machado Assis, ou quem sabe já ouvira falar do seu incrível talento misturado com a ironia e o fato de nos tirar da nossa zona de conforto como fizestes e faz até hoje com todos aqueles que leem Capitu, a devanear lado a lado com a imaginação?

A história é contada por um garoto, um jovem tímido, curioso, observador e até mesmo invisível aos olhos alheios. Ele é o garoto que cola os cartazes. Mais parece que esse circo esconde um segredo que há muito interessa ao governo, o que será? O nome do narrador dessa história é Little George. não o percam de vista.

È um livro, que nos faz remeter a infância. Quem aqui nunca sonhou em fazer parte do circo quando criança? Ser engraçado como o palhaço, voar como os acrobatas, andar na corda bamba como o equilibrista, entrar na jaula dos leões, entre tantas outras coisas maravilhosas que só o circo faz.

E com uma galerinha que em 1981 retratou de maneira inesquecível, não desmerecendo é claro seus criadores originais, os Saltimbancos, com vocês os trapalhões: (basta clicar para acessar o video)

                                         

Mas nesse circo, para fazer parte dele não bastava somente ter o dom de fazer as pessoas sorrir, saltar de alturas enormes e fazer coisas incríveis, era necessário passar por uma transformação. A personagem Boss, responsável pelo circo, fazia implantes com ossos ocos, de cobre também, isso mesmo galera, essa era uma forma de segurança segundo Boss, já que os números lá eram muito perigosos.


"As vezes você precisa ser parte da trupe e não você mesma.(Ela queria um lar, ela o encontrou.)
Com a ternura que só os monstros têm, ele pergunta: "Você tem medo de ser como nós, Ying?
"Não, diz Yng. (Como ela pode ter medo de alguma coisa, quando ele é tão lindo?)"


Mas será que vale a pena? Bom, para só lendo para saber. O que leva uma pessoa a pertencer ao circo? Sempre me fiz essa pergunta e vocês ? O Circo tresaulti também fala um pouco sobre um deles, no caso dessa trupe muitos fugiram da guerra e cada um possui seus segredos e seus passados misteriosos.


Editora Darkside

Existem outras capas, edições do Circo Mecânico Tresaulti, mais para mim sem sombra de dúvidas, a melhor edição é da Darkside. Na capa por exemplo como vocês podem ver, nos remete a um longo mistério no decorrer do livro. Essas são as asas do Alec, foram construídas com restos de ossos humanos...mais afinal, quem é Alec?



"Você sai rapidamente quando os trapezistas já terminaram. 
O que o prende ali? Após o último aplauso, a mágica já se acabou, a tenda se encolhe a seu redor até você ver as lâmpadas expostas novamente, a lona desgastada, os fragmentos de espelho brilhando como olhos de vidro afiados. Você deixa seu copo de cerveja no banco (ou o leva debaixo do casaco), reúne as pessoas  com quem veio e passeia pelo pátio praticamente vazio a caminho de casa.
Agora o garoto das pernas de metal parece triste, dando adeus como se quissesse seguir você. Ás vezes há algumas dançarinas balançando-se sem muito entusiasmo a uma música imaginária. Mas é provável que você esteja sozinho no escuro, e que suas sombras andem à sua frente como se estivessem ansiosas para irem embora, até você estar bem longe do circo.
Isso enerva, e você não sabe por quê.
No momento em que chega em casa, está cansado, e no caminho passou pelos muros velhos ao redor de sua cidade, com o cheiro forte do capim-limão nascendo pelas rachaduras, e logo adiante sua casa está bem trancada, esperando por você - coisas que o fazem lembrar do mundo real, coisas que irritam, acolhem e afastam o desconforto crescente de um pátio de circo.
Quando a porta se fecha atrás de você, pensa novamente em quão alegres os acrobatas pareciam, quão rápido os malabaristas jogavam as tochas para um lado e para o outro. Você fala das trapezistas - algumas delas, sob a maquiagem, pareciam até bonitas. Você brinca durante o jantar, jogando pães para um lado e para o outro da mesa.
Todos rirão e passarão os pães bem alto no ar, batendo palmas, até alguém começar a assoviar a melodia alegre do número do circo. 
E então alguém (você) dirá "Parem, estou com fome, passem-me um pão", e a brincadeira de repente se acalmará, e a refeição começará novamente. A piada nunca dura após alguém relembrar a música. 
È uma coisa ver um homem mecânico, mas Panadrome estraga a refeição de qualquer um, se você pensar nele tempo suficiente." 




                                             Saltimbancos Trapalhões - Rebichada 1981


Respeitável público, assim encerro o espetáculo, espero que tenham gostado e que a próxima "cidade", também a aprecie...



Lindaiá Campos
#vcnpdeixardeler