quarta-feira, 3 de maio de 2017

Resenha: Confissões do crematório: Para que planeja morrer um dia.

Ola galera como vai?

Espero que bem.

"Meu bebe! Nao, meu bebe!", gritava a mãe dela, descendo pela escada rolante, empurrando violentamente as pessoas para o lado enquanto uma multidão se formava. Ate hoje, nunca ouvi nada tao de outro mundo quanto os gritos daquela mulher.
Meus joelhos falharam, e olhei para onde ele estava, só havia o banco vazio agora.
Aquele baque, o barulho do corpo da garota batendo no laminado, se repetiria na minha mente sem parar, um baque surdo atras do outro. Hoje, os baques podem ser chamados de sintomas de síndrome de stress e pós-traumático, mas, na época, eram só o batuque da minha infância.
"Ei, garota, não tente pular la de cima. Desça pela escada rolante ok?", disse meu pai tentando falar com tom leve, com o mesmo sorriso bobo que deu para minha mãe depois do caso com superfly.
Eu não achei nem um pouco engraçado. Acho que meus olhos disseram para ele que nada era mais engraçado."


"Meus pais cresceram em um mundo em que terapia era para malucos e os perturbados, não para sua amada filha de 8 anos (que por acaso cuspia na gola da camiseta e batia obsessivamente os dedos na bancada da cozinha)."


Olhos em chamas...,cores sombrias, caveiras, elementos da morte,mais apesar disso é um livro muito divertido.


Uma menina jovem cujo trabalho e o de incinerar os mortos na Westwind. Uma garota traumatizada com a morte, aos 8 anos de idade. Tudo isso, em uma garota só.
Mas Cat resolve dar a volta por cima de uma maneira inusitada, enfrenta seu trauma de frente indo trabalhar em uma funerária sem a menor experiencia na área, vive momentos divertidos, tristes, auto reflexíveis, emocionantes. Descobre que a morte pode ser encarada de uma maneira melhor, afinal quem não planeja morrer um dia? Essa e uma das coisas que mesmo não a querendo, ainda sim e a unica certeza que temos.

"Olha Cat, a gente vê as pessoas nos piores momentos delas. Se uma pessoa esta comprando um carro novo ou uma casa nova, ela quer esta presente. Mas o que elas estão comprando de nos? Nada, estamos cobrando para levar alguém que elas amam.E a ultima coisa que querem no mundo." Com isso, eu me sentir melhor.

Mas dentre todas as lições deixadas por Caitlin a melhor de todas (para mim) foi:

"Pior ainda era o medo de isolamento - eu era uma líder no culto ao cadáver, mas ate o momento não havia mas ninguém no templo. Um líder de culto sozinho em suas crenças e só um sujeito maluco de barba."

Quantos de nos, já não se sentiu assim?
O importante e nunca desistir.

"Eles me obrigavam a encarar a minha própria morte e a morte dos meus entes queridos. Por mais que a tecnologia possa ter se tornado nossa mestra, precisamos apenas de um cadáver humano para puxar a ancora do barco e nos levar de volta para o conhecimento firme de que somos animais glorificados que comem, cagam e estão fadados a morrer. Nao somos nada mais do que futuros cadáveres."

"O sentido da vida e que ela termina." A morte e o motor que nos mantem em movimento, que nos da motivação para realizar, aprender, amar e criar."

Portanto, aproveitem.


Lindaia Campos